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A
cidade tem nome de santo, mas já foi terra de índio bravo e
negros guerreiros. Os primeiros habitantes
da região de São Roque de Minas foram os índios cataguases, que apesar da fama de
ferozes, foram dizimados pelos brancos ainda no século 17.
Praticamente nada ficou deles, além do nome. Depois vieram os
negros escravos fugidos que formaram alguns quilombos
célebres na região da Serra da Canastra. O mais famoso foi o
do Pai Inácio, que dizem ter sido tão grande quanto o de
Palmares. Os negros aproveitaram muito bem a abundância de
água e as terras férteis da cabeceira do São Francisco e
viviam da agricultura, da pesca e da caça. Resistiram
durante longos anos ao domínio dos brancos, mas foram
aniquilados numa batalha sangrenta sob o comando de um certo
Diogo Bueno da Fonseca, em meados do século 18.
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Fazenda do século 19
em São Roque de Minas
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A herança dos escravos
guerreiros ficou em nomes como Ribeirão do Quilombo, cachoeira
do Quilombo e Capão Forro, nome que pode ser
"traduzido" por mata do escravo livre.
A vida
econômica do município se baseia na produção do queijo
canastra há mais de um século. Uma economia semi-clandestina,
já que a produção é artesanal e ninguém paga imposto. 90%
do queijo é levado para a região metropolitana de São Paulo
e distribuído através de pequenos comerciantes. O rebanho
bovino do município é de aproximadamente 50 mil cabeças. A
segunda maior atividade em importância é a cafeicultura,
cuja área de plantio cresceu muito nos últimos dois anos.
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Distrito de São José do Barreiro
(São Roque de Minas)
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A segunda maior
atividade em importância é a cafeicultura, cuja área de
plantio cresceu muito nos últimos dois anos.
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Em
1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire conheceu
a Serra da Canastra e revelou que a cidade de Piunhi nasceu de
um acampamento de soldados reunidos para combater os negros da
Canastra.
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Vista da igreja Matriz e área central de São Roque
de Minas
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A população
encontrada por Saint-Hilaire nas fazendas da época já era
outra: brancos e mestiços vindos dos centros de mineração
em decadência, os primeiros habitantes da pequena povoação
que se formaria próximo à capela de São Roque e se tornaria
distrito de Piunhi em 1842.
Quase um século
depois, em 1938, São Roque virou cidade independente, mas
trocou de nome: Guia Lopes, em homenagem a José Francisco
Lopes, o guia das tropas brasileiras no episódio da guerra do
Paraguai conhecido como Retirada da Laguna. Só em 1962, a
cidade foi legalmente rebatizada com o nome atual, São Roque
de Minas.
A
população rural, que em 1970 representava quase 77% do total
de moradores, passou a representar apenas 56% em 1991 e 41% no
ano 2000.
Outro fenômeno
interessante foi redução da população: São Roque de Minas
tinha 7.143 habitantes em 1970, número que caiu para 6.323 em
1991 e permaneceu praticamente inalterado segundo o censo de
2000 (6.326 habitantes).
O turismo começa a se
destacar como atividade econômica e promete mudar a vida da
cidade. Nos últimos 10 anos surgiram muitas pousadas e outros
empreendimentos no setor. O número de visitantes anuais
saltou de aproximadamente 2 mil para mais de 30 mil, conforme
os registros do Parque Nacional.
Os principais entraves ao
desenvolvimento equilibrado do município são a falta de
infra-estrutura e de planejamento no setor público. Embora
pequena, a cidade já tem problemas com o lixo e o esgoto
doméstico. A Prefeitura mantém uma usina de reciclagem de
lixo que funciona precariamente e os esgotos são despejados
no rio do Peixe, um
sub-afluente do São Francisco.
Apesar do perfil
agrícola, São Roque de Minas, como a maioria dos municípios
brasileiros, passou por um êxodo rural expressivo.
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