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Araticum
(Annona dioica St. Hil.)
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Cajueiro-do-campo
(Anacardium humile St. Hil.)
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Saint-Hilaire escreveu vários livros sobre as pesquisas e as
viagens. Esses livros são leitura saborosa, além de documentos
preciosos sobre o Brasil do princípio do século 19.
Saint-Hilaire era um observador minucioso, preocupado em fazer o
leitor "viajar" com ele. Por isso, os relatos são sempre
enriquecidos com lições de história, geografia, sociologia e
antropologia. Saint-Hilaire era um humanista exemplar, capaz de
se envolver, pesquisar a fundo, criticar, sugerir e se apaixonar
pelo que via. Mesmo quando expunha as mazelas do Brasil daquela
época, ele se expressava de uma forma supreendente para um
estrangeiro, demonstrando carinho e preocupação com o futuro do
País. Conhecia muito bem o nosso idioma, chegando a explicar a
origem das palavras e discorrer sobre diferenças regionais de
pronúncia. Também é surpreendente a consciência ecológica dele,
numa época em que a palavra ecologia nem existia. Quando viajava
do Rio de Janeiro para Goiás, ele condenou a agricultura baseada
nas queimadas, dizendo que quem assim o fazia estava
prejudicando as gerações futuras.
" (...) Podemos culpar (aqueles que praticam as queimadas) por
privarem sem necessidade as gerações futuras dos grandes
recursos que oferecem as matas; por correrem o risco de despojar
as montanhas da necessária terra vegetal e tornar seus cursos de
água menos abundantes; enfim, por retardarem o progresso de sua
própria civilização, disseminando o deserto à sua passagem,à
medida que buscam novas matas para queimar."
Saint-Hilaire pode ser considerado tambem um pioneiro do turismo
ecológico. A caminho de Goiás, ele desviou-se do roteiro só para
ver uma cachoeira, a Casca D'Anta, primeira grande queda do rio
São Francisco na serra da Canastra, diante da cachoeira, ele fez
a seguinte descrição:
" ... Para se ter uma idéia de como é fascinante a paisagem ali,
o leitor deve imaginar em conjunto tudo o que a natureza tem de
mais encantador: um céu de um azul puríssimo, montanhas coroadas
de rochas, uma cachoeira majestosa, águas de uma limpidez sem
par, o verde cintilante das folhagens e, finalmente, as matas
virgens, que exibem todos os tipos de vegetação tropical."
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LIVRO
RECOMENDADO
Relato de uma fascinante
viagem, do Rio a Goiás, feita há quase 200 anos por
Auguste de Saint-Hilaire,
o genial cientista francês que
nos ensinou a conhecer o Brasil. Descrição minuciosa e
apaixonada da Serra da Canastra. |
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Depois ele conheceu o alto da Serra da Canastra e fez de
tudo uma descrição entusiasmada. Essa passagem pela região
deu título ao livro "Viagem às nascentes do Rio São
Francisco e Província de Goiás", publicado em Paris em 1847.
Não é à toa que de todos os livros resultantes da viagem ao
Brasil, esse é o único que faz referência a um rio no
título.
A visita à Serra da Canastra foi em 1819. E ainda hoje, quase
dois séculos depois, a descrição histórica de Saint-Hilaire
continua sendo um retrato fiel da paisagem bem preservada da
região. É uma descrição simples, porém exata, carregada de uma
emoção ainda capaz de contagiar o leitor.
" ... Em toda a extensão do seu cume, a serra apresenta um vasto
planalto irregular que os habitantes da região chamam de
chapadão. Dali pude descortinar a mais vasta extensão de terras
que os meus olhos já viram desde que nasci. Num lado, a serra de
Piumhi limitava o horizonte, mas em todo o resto unicamente a
fraqueza dos meus olhos restringia o meu campo de visão."
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Fruta-de-lobo
(Solanum lycocarpum St. Hil.)
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Quina-do-campo
(Strychnos pseudoquina St. Hil.)
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As mesmas plantas e flores dos campos e cerrados que
encantam os turistas de hoje, surpreenderam Saint-Hilaire.
" ... À exceção da Serra Negra (Sabará), não vi em nenhuma outra
parte uma variedade tão grande de plantas quanto na Serra da
Canastra. (...) Em pouco tempo recolhi 50 espécies de plantas
que ainda não tinha visto nessa viagem, sendo que várias eram
para mim inteiramente desconhecidas."
Até para os moradores simples e pobres da Canastra, ele reservou
palavras de carinho. Num tom melancólico e saudosista,
escrevendo em Paris, ele se referiu assim ao homem que o
hospedou aos pés da cachoeira Casca D'Anta:
" ... Felisberto, se ainda está vivo, não deve mais se lembrar
do estrangeiro que um dia lhe foi pedir abrigo. Quanto a mim,
ainda me parece ouvi-lo contar com calma as afrontas e vexames
de que tinha sido vítima. Os exemplos de honestidade e de
virtude não são tão comuns para que possamos esquecê-los
facilmente."
Na apresentação do livro "Viagem às nascentes do Rio São
Francisco" (edição USP/Itatiaia), o resenhista Vivaldi Moreira
define: " ...Veio (Saint-Hilaire) em nome de uma doutrina que
santifica os homens, que os eleva na consideração dos séculos,
que os imortaliza na memória da posteridade. (...) Com amor à
terra visitada compôs sua obra, hoje monumento erguido à
ciência, catálogo de nossas riquezas, mapa vivo de nosso
passado."
Desenhos/plantas: "Plantas do Brasil/Espécies do Cerrado", de
Mário G. Ferri
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