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Entre as 10 espécies de aves aquáticas mais
ameaçadas de extinção no Brasil, de acordo com a União Mundial
para a Natureza – UCN, o pato-mergulhão tem despertado o
interesse de muitos pesquisadores. Rara, a espécie é encontrada
em poucos locais do centro-sul do Brasil e em partes do Paraguai
e Argentina. Entretanto, é a região da Serra da Canastra que
abriga a maior população desse animal. A estimativa é de mais de
quarenta casais.
“Como trata-se de uma espécie criticamente
ameaçado de extinção e pouco conhecida, todos tem o interesse em
estudar para conhecer melhor essa ave”, afirma Renata Dornelas
de Andrade, bióloga e coordenadora do trabalho de campo do
Programa Pato- mergulhão, pertencente à ONG Instituto Terra
Brasilis. Os casais de pato-mergulhão foram avistados em áreas
dos municípios de São Roque de Minas, Delfinópolis, São João
Batista do Glória, Capitólio, Sacramento e Vargem Bonita.
Conforme os estudos, a média é de oito filhotes
de pato por casal. A família convive junto por um período de
mais ou menos seis meses em cada território, que varia de cinco
a oito km quadrados. Na estimativa foram considerados somente os
casais adultos, com território formado, pois os filhotes, quando
se tornam adultos, abandonam os pais em busca de novos espaços.
Por não ser possível afirmar se todos os filhotes vão
sobreviver, os descendentes não entraram na contagem.
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Balanço
A pesquisa coordenada pelo Terra Brasilis tem
resultados excelentes do ponto de vista científico. A começar
pela descoberta de um ninho da espécie, em 2002. Um evento raro.
Antes disso, só se sabia de um ninho encontrado na Argentina.
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Os pesquisadores observaram que o
pato-mergulhão pode voar a uma altura superior a 20
metros. Até então se acreditava que a ave só voava baixo
e rente à superfície da água. Outra observação
importante foi o comportamento da espécie na divisa de
dois territórios. Os pesquisadores presenciaram duas
famílias defendendo o espaço. Algo até então sem
registro.
“Quanto mais se conhece sobre determinada
espécie mais se pode promover medidas de conservação da
espécie”, ressalta a bióloga Renata Dornelas.
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Como vive o pato-mergulhão
Mergus octosetaceus
é o nome científico do pato-mergulhão, que tem como
características marcantes o bico fino e longo, penacho na cabeça
e pés vermelhos. A ave é extremamente vive em rios ou riachos de
águas limpas e claras, com corredeiras, margeados com vegetação.
A espécie mergulha para conseguir seu alimento – peixes,
principalmente o lambari, e outros pequenos animais.
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Na cadeia alimentar, o pato mergulhão adulto pode
ser presa do gavião e falconídeos de maior porte. Ainda no ovo,
a espécie normalmente é ameaçada também pela lontra.
O pato-mergulhão pode ser visto descansando nas
pedras que ficam no meio da correnteza e nas prainhas de areia
dos rios e córregos da região. Se o ambiente se modificr, os
patos-mergulhões podem abandonar a área que ocupavam. Como esta
espécie é exigente com relação ao local onde vive, abandonar uma
área pode significar não encontrar outra adequada e morrer.
Afinal, áreas bem conservadas estão ficando cada vez mais raras.
Uma curiosidade dessa ave é que, ao sair do
ninho, os filhotes nadam acompanhando os pais por um período
aproximado de seis meses. Diferente dos pais, os filhotes têm
penas pretas com manchas brancas. É comum as pessoas confundirem
a ave com várias espécies semelhantes, principalmente com o
biguá e o pato-do-mato. |
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Educação ambiental
O Terra Brasilis desenvolve atualmente a campanha
“Procura-se Vivo”, que inclui folhetos e calendários educativos
com informações sobre o pato-mergulhão e uma ficha destacável
para as pessoas que viram o pato preencher e depositar nas urnas
coletoras, espalhadas nas cidades da região.
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“Esse trabalhado ajudou bastante o
monitoramento da espécie, uma vez que houve um retorno
de mais de 170 relatos escritos, além de outros 182
apenas verbais”, afirma Flávia Ribeiro, bióloga, que
coordena o Centro de Informação ‘Pato Aqui, Água Acolá’.
Desde 2007, o Centro oferece à comunidade e visitantes
palestras, exposições, oficinas, cursos, concursos,
filmes, jogos didáticos, dentre outras atividades com
caráter sócio-ambiental. Todos os meses uma nova
programação é divulgada na cidade. |
Como
tudo começou
Desde
2001 o Instituto Terra Brasilis desenvolve atividades no Alto
São Francisco, uma região estratégica para o país, do ponto de
vista de manejo de recursos hídricos, de extrema importância nos
contextos sociais, econômicos e ambiental brasileiros.
O Instituto iniciou as pesquisas na região
durante trabalho de revisão do Plano de Manejo do Parque (PNSC),
através de uma prestação de serviços para o IBAMA (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
No inicio havia apenas o registro de seis casais
do pato na região.
Antes, na década de 80, foram realizadas as
primeiras observações científicas da espécie na região pelo
alemão Wolf Bartmann. Posteriormente outros pesquisadores
fizeram trabalhos sobre a espécie, como Luis Fabio Silveira e
Sávio Freire Bruno.
A
atuação do Instituto abrange concepção, gestão, coordenação,
promoção ou patrocínio de atividades de conservação dos recursos
naturais e desenvolvimento sócio-ambiental. Na Serra da
Canastra, o objetivo maior é a conservação das águas da região,
envolvendo as plantas, os peixes e outros animais, córregos,
rios cachoeiras e nascentes.
Em São Roque de Minas são três pessoas que atuam
no programa Pato-Mergulhão, com suporte do Instituto em Belo
Horizonte: Renata Dornelas de Andrade, bióloga, coordenadora do
trabalho de campo do programa Pato-mergulhão; Flávia Ribeiro,
bióloga, que coordena o Centro de informação Pato Aqui, Água
Acolá, prestadora de serviços da ONG (Instituto) Terra Brasilis;
e Augusto Lima Neto, assistente de campo do Programa
Pato-mergulhão e estudante de Biologia.
Para conhecer melhor o projeto e obter
informações sobre o pato-mergulhão, o endereço do Centro de
Informação “Pato Aqui, Água Acolá” é Av. Presidente Tancredo
Neves, 131, centro, São Roque de Minas. Telefone para contato:
(37) 3433-1333. Os contatos eletrônicos são:
renata@terrabrasilis.org.br ou
flavia@terrabrasilis.org.br.
Textos: Fernando Silva |