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DIAGNÓSTICO MUNICIPAL DE VARGEM BONITA
SUMÁRIO
1 - ASPECTOS FÍSICO-GEOGRÁFICOS E HISTÓRICOS
1.1 LOCALIZAÇÃO NA ESTRUTURA ESPACIAL DO ESTADO E EXTENSÃO TERRITORIAL
1.4 DISTÂNCIA DA CAPITAL DO ESTADO, DE OUTRAS CAPITAIS E/OU CIDADES-PÓLO PRÓXIMAS
5 - INFRA-ESTRUTURA E SERVIÇOS
10 - RECOMENDAÇÕES ESTRATÉGICAS
11 - OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS
1 - ASPECTOS FÍSICO-GEOGRÁFICOS E HISTÓRICOS
1.1 LOCALIZAÇÃO NA ESTRUTURA ESPACIAL DO ESTADO E EXTENSÃO TERRITORIAL
O
município de Vargem Bonita está situado na Região de Planejamento
VI, Centro-Oeste de Minas, e na microrregião de Piumhi. Segundo o
IBGE, sua área territorial corresponde a 410 Km2. A sede
municipal se encontra a 850 metros de altitude.
1.2 ASPECTOS HISTÓRICOS
A
formação histórica de Vargem Bonita se deve ao descobrimento de
diamantes no leito do Rio São Francisco, nas proximidades da Fazenda
Vargem Bonita, entre os anos de 1935 e 1936. Tal fato resultou não
apenas no afluxo de grandes levas de garimpeiros de várias regiões
do país, como também na atração de algumas famílias, que
garantiam seu sustento através de outras atividades relativas ao comércio
e serviços, suprindo assim as necessidades coletivas que se formavam
e dando aspectos urbanísticos ao arraial que abrigava os novos
habitantes.
Em
1944, o povoado foi elevado à categoria de vila e o proprietário da
Fazenda Vargem Bonita, Sr. José Alves Ferreira, com visão de futuro,
fez os necessários loteamentos e planejamento para urbanização da
área. Calcula-se que, naquela época, a área ocupada pelo atual
município de Vargem Bonita tinha uma população flutuante em torno
de 30 mil pessoas, sendo cerca de 15 mil garimpeiros registrados; número
que assegurava certo dinamismo à economia do lugar.
A
12 de dezembro de 1953, através da Lei Estadual nº 1 039, Vargem
Bonita passou a ser município e seu principal núcleo urbano
tornou-se, ao mesmo tempo, sede e único distrito.
Com
o passar do tempo, nas décadas de 1960 e 70, a atividade mineradora
foi entrando em decadência, em virtude da queda do preço e escassez
dos diamantes e da crescente proteção ambiental das áreas próximas
à nascente do Rio São Francisco, de grande potencial para a exploração
mineradora. A atividade foi impedida de ter continuidade em 1993,
através de intervenção direta dos órgãos governamentais
competentes.
O
atraente nome do município - Vargem Bonita - se deve à presença de
extensas e belas várzeas, cortadas por vários córregos que vão
desaguar no Rio São Francisco.
1.3 MUNICÍPIOS LIMÍTROFES
Vargem
Bonita tem limites com os seguintes municípios:
Þ
norte
- São Roque de Minas;
Þ
sul
- Capitólio;
Þ
leste
- Piumhi;
Þ
oeste
- São João Batista do Glória.
1.4 DISTÂNCIA DA CAPITAL DO ESTADO, DE OUTRAS CAPITAIS E/OU CIDADES-PÓLO PRÓXIMAS
O
Quadro 1 (Anexo 1) permite visualizar as distâncias entre Vargem
Bonita e alguns pólos nacionais e regionais selecionados.
2 - ASPECTOS DEMOGRÁFICOS
Conforme
a Contagem da População realizada pelo IBGE em 1996, Vargem Bonita
tinha um total de 2 167 residentes, distribuídos quase eqüitativamente
entre suas zonas urbana e rural, mas, ainda assim, com uma leve
predominância da população urbana (Quadro
2, Anexo 1). Verifica-se, contudo, que nas décadas anteriores era
mais forte a presença de moradores no campo que na cidade, enquanto
em Minas Gerais já era maior o quantitativo de residentes nas áreas
urbanas desde 1970.
Quanto
às taxas médias de crescimento anual, os totais do município são
negativos e inferiores à média mineira em todos os períodos
considerados. Interessante observar que, se bem que a população
total se mostra decrescente, o número de habitantes nas áreas
urbanas do município apresenta crescimento positivo. É a diminuição
da população rural, registrada também no cenário nacional, a
responsável pela redução do total de pessoas, à medida que a mesma
decresce, em termos absolutos, em quase 43% entre 1970 e 1996.
O
Quadro 3 (Anexo 1) apresenta a população do município e do Estado distribuídas
por grupos de idade, em 1996, sendo possível ver percentuais próximos
nas duas esferas analisadas. Ainda assim, os estratos entre 5 e 19
anos são mais significativos em Minas Gerais, ao passo que em Vargem
Bonita realça a maior participação percentual dos grupos entre 10 e
14 e acima de 40 anos de idade.
3 - ECONOMIA MUNICIPAL
3.1 PRODUTO INTERNO BRUTO
Ao
se analisar o Produto Interno Bruto - PIB total do município, da
micro e da macrorregião onde está inserido, bem como do Estado (Quadro
4, Anexo 1), relativos ao período 1985-96, observa-se que a
participação percentual de Vargem Bonita e da microrregião na média
estadual se mantém praticamente inalterada, ao passo que a macrorregião
tem apresentado decréscimo na participação relativa no PIB mineiro.
Quanto
às taxas médias de crescimento anual, para todo o período analisado
a do município é inferior à da microrregião, à do Centro-Oeste
mineiro e à estadual. Em 1995-96, porém, Vargem Bonita teve um
crescimento de seu PIB muito superior ao das outras áreas.
O
Gráfico 1, permite uma
melhor visualização das oscilações do PIB local entre 1985 e 1996,
que se mantém, com pequenas oscilações. A série do PIB do município
atinge seu ponto mais elevado no ano de 1987, chegando a 1996 em
patamar quase igual ao de 1985.
Os
Quadros 5, 6 e 7 (Anexo 1) apresentam as taxas
médias de crescimento anual do PIB total entre 1985 e 1996 e
dizem respeito, respectivamente, aos setores primário, secundário e
terciário da economia de Vargem Bonita, da microrregião de Piumhi,
da macrorregião do Centro-Oeste mineiro e do Estado.
O
PIB agropecuário (Quadro 5, Anexo 1) da localidade teve fortes
oscilações na época analisada e registrou taxas negativas de
crescimento, no cômputo final do período 1985-1996, inferiores às
da microrregião, macrorregião e do Estado.
No
que se refere ao setor
industrial (Quadro 6, Anexo 1), as taxas de crescimento do PIB do
município são muito superiores as da micro, da macrorregião e do
Estado, em todos os períodos analisados, com exceção de 1991-96. É
preciso lembrar, no entanto, que a base industrial local é muito
pequena, motivo pelo qual uma pequena mudança provoca alterações
mais visíveis sobre o PIB que em lugares mais industrializados.
O
setor comércio e serviços de
Vargem Bonita (Quadro 7, Anexo
1) teve taxa média negativa do seu PIB, entre os anos de 1991 e
1996, apesar do acelerado crescimento entre 1995-96. No cômputo geral
do período 1985-96, o referido índice fica no patamar mais baixo do
conjunto analisado.
O
Gráfico 2 possibilita ver
a contribuição de cada um dos
setores para o PIB do município, da micro e da macrorregião,
assim como de Minas Gerais. A estrutura produtiva de Vargem Bonita foi
praticamente a mesma durante o período de 1985-1996, tendo o PIB de
comércio e serviços oscilado entre 50 e 60% do PIB total.
As
atividades agropecuárias
geraram por volta de 40% e o setor industrial
mostra-se pouco expressivo na composição do produto total. Para a
microrregião, o PIB do setor terciário
tem crescido em detrimento do agropecuário.
Quanto
à população economicamente ativa - PEA de Vargem Bonita (Quadro 8, Anexo 1), verifica-se que seu crescimento, em números
absolutos, não é significativo no período 1970-91, correspondendo a
apenas 1%. O setor primário é o que mais emprega trabalhadores,
apesar de estar perdendo posição para os demais setores, em termos
percentuais.
3.2 SETOR PRIMÁRIO
3.2.1 Agricultura
O
Quadro 9 (Anexo 1) mostra a
estrutura fundiária municipal
em 1996, com pouco mais de 200 estabelecimentos identificados pelo
IBGE. Predominam aqueles com dimensão entre 50 e 200 ha., que
correspondem a quase 45% do total e ocupam 31% da área. No entanto,
os estabelecimentos de 200 a 1000 ha. ocupam uma área equivalente à
metade do território rural. Ainda se observa na área a existência
de numerosas propriedades com mão-de-obra de meieiros, que trabalham
em terra alheia em troca de 50% da produção.
No
que tange à utilização das
terras (Quadro 10, Anexo 1), grande parte do território (83,8%)
está ocupada por pastagens, entre as quais realçam as naturais
(50%), seguidas pelas plantadas (34%). As matas e florestas, por sua
vez, correspondem a apenas 5% do total, valor semelhante ao registrado
para as lavouras, tanto permanentes quanto temporárias.
As
atividades primárias têm crescido nos últimos anos, em virtude do
deslocamento, para o campo, de investimentos produtivos e de mão-de-obra
antes ocupada no garimpo e na mineração. As principais culturas
agrícolas em 1996, estão presentes no Quadro
11 (Anexo 1), com destaque para café e milho, únicas que têm
expressão comercial. Somados ao sorgo e à cana-de-açúcar,
destinados ao arraçoamento do gado, os demais cultivares - arroz,
feijão -, só alimentam uma economia de subsistência, de caráter
tradicional.
A
cafeicultura, iniciada com uns poucos pioneiros há cerca de 20 anos,
apenas nos últimos cinco teve maior desenvolvimento e se constituiu
em atividade econômica relavante, com perspectiva de continuar em
expansão.
Em
2000, calcula-se que existam aproximadamente 1000 ha. de café em
produção e por volta de 90 produtores. O café irrigado praticamente
não existe, devido à acidentada topografia local e regional. Há
somente um produtor de café orgânico. Apenas três fazendas têm
produção mecanizada.
A
produtividade média municipal é de 15 sacas por ha., semelhante à média
estadual, mas são encontrados produtores que chegam a colher 50 sacas
por ha. A produção total do corrente ano, inferior à da última
safra, está estimada em
10 000 sacas.
A
comercialização se dá através de Cooperativas de outros municípios,
em sua maior parte da Cooparaíso, de São Sebastião do Paraíso.
Segundo
entrevistados do setor, muitos produtores agrícolas têm usado agroquímicos
em abundância em suas culturas, com aplicação incorreta, o que
acaba ocasionando problemas de saúde nos trabalhadores que têm
contato direto com os produtos. A disposição das embalagens dos
agrotóxicos também é feita de forma inadequada, o que gera grave
problema ambiental.
É
importante ressaltar que, durante as atividades de pesquisa de campo,
foram identificados vários produtores com interesse em trabalhar com
turismo rural, potencial a ser aproveitado para geração de emprego e
renda.
3.2.2 Pecuária
O
Quadro 12 (Anexo 1) traz os
efetivos da pecuária vargeana
para o ano de 1996, realçando o rebanho bovino. No município,
sobressai o gado de corte ao de leite, devido à maior facilidade para
escoamento e menor necessidade de cuidados com os animais. De todas as
maneiras, a área não apresenta boa capacidade de suporte para a pecuária
extensiva, dado o pequeno tamanho da maioria dos estabelecimentos. Os
demais rebanhos são pouco expressivos.
Com
relação aos produtores de leite, ainda é baixo o grau de adoção
de novas tecnologias, como adequado arraçoamento do rebanho, inseminação
artificial, granelização do leite etc. Apesar de existirem
propriedades rurais melhor estruturadas tecnologicamente, a maioria
ainda trabalha com métodos rudimentares. A produção média diária
de Vargem Bonita gira em torno de 2 a 3,5 litros de leite por vaca,
sendo inferior, portanto, à média do Estado de Minas, que se situa
atualmente em torno de 4,5 litros/vaca/dia.
Os
insumos para a produção são adquiridos em Piumhi, com exceção do
milho e da capineira para a silagem, encontrados no próprio município.
Na
localidade, não há matadouro municipal, mostrando-se comum o abate
nas fazendas, sem qualquer tipo de fiscalização. Em termos de prevenção
de doenças do rebanho, 93% do gado local cadastrado pelo Instituto
Mineiro de Agronomia - IMA é vacinado contra febre aftosa.
Muitos
pecuaristas têm mostrado empenho em relação à produção de
queijos, em particular do tipo Canastra, feito com leite cru,
tradicional na região e com longa presença no mercado. No entanto, são
grandes a serem desafios enfrentados, uma vez que tal atividade é
praticada fora dos adequados padrões de controle sanitário do
rebanho e microbiológicos, exigidos durante a produção. Esta situação,
ainda que não impeça a comercialização do citado queijo, inibe sua
expansão e mantém baixos os preços. Existe a idéia de buscar a
certificação do produto da região, com a obtenção do devido selo
do SIF. Para tanto, a Cooperativa de Crédito de São Roque de Minas -
SAROMCREDI vem subsidiando um estudo piloto, em convênio com a EPAMIG.
Deve-se
ressaltar as dificuldades para a produção leiteira, enfrentadas não
só pelo município, mas pelo país como um todo, que se encontra
tecnologicamente atrasado em relação a outros. Se a produção média
por vaca/dia no Brasil e em Minas é de cerca de 4,5 litros, na
Argentina é de 10 litros, e nos Estados Unidos e Europa os valores
estão próximos de 20 litros.
A
abertura comercial brasileira ocorrida nesta década proporcionou a
entrada de produtos estrangeiros que, por serem de melhor qualidade e
menor preço, ocuparam uma fatia de mercado do produto nacional, forçando
uma modernização da produção do país. No caso do leite, novas técnicas
estão sendo adotadas, como a granelização, que consiste no
resfriamento do produto nas propriedades e na coleta em tanques (também
resfriados), o que acabará com a tradicional coleta do leite em latão.
No entanto, os investimentos exigidos pelo processo de modernização
são elevados, só sendo possíveis, no ritmo demandado, para
produtores que atingem escala, produtividade, qualidade e adequada
gestão empresarial nos seus estabelecimentos. Os que mantiverem os
padrões hoje predominantes, de pequena produção e escassa
tecnologia, tenderão a desaparecer do mercado, o que mostra o lado
social traumático da questão.
No
Brasil, só nos últimos dois anos, estima-se que mais de 100 000
produtores tenham deixado a atividade. Segundo informações do setor,
a tendência é que o número de produtores continue diminuindo, em
especial em Minas Gerais e São Paulo. Para o produtor de Vargem
Bonita, que apresenta produtividade inferior às médias estaduais e
nacionais, a concorrência é ainda maior, pois mesmo que o leite seja
comercializado apenas no município, ele terá que enfrentar o produto
importado e o de outros produtores do estado e do país, de melhor preço
e qualidade.
A
assistência técnica ao produtor rural é feita por duas instituições:
o IMA e a EMATER. A área de jurisdição da primeira abrange Vargem
Bonita e São Roque de Minas. O IMA tem realizado trabalhos de educação
sanitária e erradicação de doenças animais, como aftosa,
brucelose, raiva e botulismo. Na avaliação de entrevistados,
necessitaria de alguns novos equipamentos para facilitar sua atuação,
como um automóvel e um computador, além de um técnico em agropecuária.
A
EMATER, por sua vez, tem trabalhado para o aperfeiçoamento da
cafeicultura e da bovinocultura na localidade. Não há Cooperativa
Agropecuária em Vargem Bonita.
3.3 SETOR INDUSTRIAL
As
atividades industriais são pouco expressivas no município, estando
representadas pela Mirtel Brigliadod, indústria do segmento têxtil,
que emprega em torno de 50 trabalhadores, em sua maioria do sexo
feminino, e produz mais de 20 mil peças, destinadas a clientes de São
Paulo. As principais dificuldades para essa produção estão na ausência
de mão-de-obra apta para desempenhar tarefas industriais e carência
de infra-estrutura e serviços, sobretudo os de assistência técnica,
que acabam sendo procurados em Formiga e São Paulo.
A
implantação de uma unidade fabril da referida empresa na localidade
se enquadra no processo de desconcentração da indústria brasileira
a partir de São Paulo, metrópole onde são verificados altos preços
dos terrenos e aluguéis, congestionamentos de trânsito, problemas de
segurança e custos elevados da mão-de-obra. Essas variáveis,
conforme o representante entrevistado, tornaram inviável a permanência
da empresa em São Paulo. Tal processo tem ocorrido com várias
empresas, possibilitando o espraimento da indústria instalada em
grandes centros, em especial Rio de Janeiro e São Paulo, para outras
áreas do país. Assim sendo, terá ganhos o município que conseguir
consubstanciar uma boa infra-estrutura urbana, mão-de-obra
qualificada e barata, condições favoráveis de acessibilidades,
diversificada rede de prestação de serviços e atuação política
dinâmica, na busca de investimentos industriais.
Em
Vargem Bonita, além dos mencionados queijos e indústria de confecção,
há uma fábrica de blocos de cimento; alguma produção artesanal de
alimentos, principalmente derivados de cana-de-açúcar (melado,
aguardente e rapadura); utensílios domésticos de madeira; cestos e
esteiras de bambu e souvenirs de pedra.
3.4 COMÉRCIO E SERVIÇOS
A
exemplo do que ocorre em municípios de porte semelhante, Vargem
Bonita mostra o predomínio de micro e pequenos estabelecimentos
varejistas, inexistindo o comércio atacadista.
O
comércio a varejo não é capaz de satisfazer as necessidades
quotidianas da população local, de vez que é praticamente
inexistente a oferta de bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos,
autopeças, móveis e outros. Conforme os informantes-chave do setor,
ocorre a saída da população local para fazer compras na cidade de
Piumhi, onde tem acesso a uma maior gama de bens e serviços, com
melhores condições de pagamento. Segundo entrevistados, há ganhos
reais para o consumidor com esse comportamento. No entanto, o município
e o comércio local perdem divisas.
Em
consonância com localidades com as características e o porte do que
aqui se analisa, os estabelecimentos comerciais de Vargem Bonita
operam em moldes tradicionais. Exemplo de tal fato é o hábito de
vender através de cadernetas, sem ficha cadastral do cliente e nem
consulta de cheques, aliás pouco freqüentes. Essa conduta, de acordo
com os entrevistados do setor, explicaria a existência dos altos níveis
de inadimplência.
Segundo
os entrevistados, sente-se a necessidade de criar a Associação
Comercial vargeana, para fortalecer o setor. A união dos interessados
através da entidade sem dúvida facilitaria o desenvolvimento de várias
atividades com impacto positivo sobre o setor, como instalação de
uma central de compras, que minimizaria gastos com frete e implicaria
em preços mais competitivos, em relação aos praticados em outros
municípios; implantação do Serviço de Proteção ao Crédito - SPC,
para reduzir as perdas com inadimplência; organização de cursos de
capacitação sobre gerenciamento, técnicas de vendas e atendimento,
demandados pelos comerciantes; e melhor aproveitamento do turismo pelo
comércio. Em relação a esse último tema, destaca-se que falta
sinalização que atraia turistas para a cidade, quando se dirigem à
Cachoeira de Casca D’anta, a mais famosa da região e cujo acesso à
parte de baixo se dá através de entrada próximo à sede municipal
de Vargem Bonita.
A
área tem significativo potencial para desenvolvimento do turismo, não
apenas num patamar regional, mas também nacional, em decorrência da
proximidade do Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 e
com uma área de
71 525 hectares. É divisor de águas das bacias dos rios São
Francisco e Paraná.
A
região da Serra da Canastra, na qual está localizado o Parque,
abrange uma vasta área, situando-se em quatro municípios, a saber,
Delfinópolis, Sacramento, São Roque de Minas e Vargem Bonita. São
mais de 200 mil hectares cheios de belezas naturais: chapadões,
escarpas, nascentes, cachoeiras, flora de cerrado e campos rupestres,
nos quais vivem inclusive animais ameaçados de extinção, como
tamanduá-bandeira, lobo guará e veado campeiro.
Seu
relevo montanhoso - que atinge o ponto máximo de 1 496 metros na
Serra Brava -, permite a realização de esportes de montanha e também
do ecoturismo, praticados principalmente por um público mais jovem.
Uma
das vantagens do município sob estudo é que boa parte dos pontos
atrativos são de fácil acesso a partir da sede e podem até mesmo,
em alguns casos, ser atingidos a pé.
Os
principais pontos turísticos da área que interessam a Vargem Bonita
são praias, como as de Copacabana, Chinela e Crioula, e cachoeiras
como as da Lavra, da Usina, da Capivara, Lavrinha e Tião Bentinho.
Esta última, apresentando sete quedas sucessivas, pertence ao município
de São Roque, mas está muito perto da cidade de Vargem Bonita.
Através
do Quadro 13 (Anexo 1),
observa-se que, em comparação com a média estadual, em 1991 Vargem
Bonita mostrava distribuição da renda média mensal familiar per
capita menos favorável. Tal aspecto se traduzia no maior
percentual da população vargeana com renda mais baixa que a dos
mineiros: 73% das famílias locais recebiam até um salário mínimo
mensal, ao passo que a média calculada para o Estado era de 65%.
O
Quadro 14 (Anexo 1) mostra
os Índices de Desenvolvimento Humano Municipal - IDH-M e de Condições
de Vida - ICV, relativos aos anos de 1970, 1980 e 1991, calculados
pela Fundação João Pinheiro - FJP para o município de Vargem
Bonita, a microrregião de Piumhi (apenas para 1991) e o Estado de
Minas Gerais.
Ambos
os índices assumem valores que variam de 0 a 1, sendo: Þ
até
0,5, baixo desenvolvimento humano; Þ
entre
0,5 e 0,8, médio desenvolvimento humano; Þ
acima
de 0,8, alto desenvolvimento humano.
Nota-se
que os índices de Vargem Bonita evoluíram nos anos considerados,
mantendo-se próximos aos mineiros, embora sempre alguns pontos
abaixo, e correspondendo a médio desenvolvimento humano.
Em
termos de habitação, a
localidade chega a 1991 com quantitativos correspondentes a alto
desenvolvimento humano. É válido destacar também o componente educação
do IDH-M, que apresentou valor superior ao calculado para a microrregião
e para o Estado. Verifica-se, porém, que seus outros indicadores se
encontram abaixo dos da microrregião de Piumhi, onde se localiza, em
especial no que se refere ao componente renda.
Em
julho de 2 000, a Prefeitura Municipal de Vargem Bonita estava
constituída pelas Secretarias de Saúde, Educação, Obras e
Administração.
No
que tange a finanças públicas, o Fundo de Participação dos Municípios
- FPM era responsável por cerca de 80% dos recursos. O Imposto Sobre
Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN gerava 3% da receita total,
enquanto as outras fontes de arrecadação - Imposto Predial
Territorial Urbano - IPTU e Imposto Sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços - ICMS, transferências da União e do Estado, taxas e
contribuição de melhorias - eram pouco significativas.
O
número de servidores municipais, que já foi maior, estava em torno
de 110, na metade de 2000. A folha de pagamentos absorvia cerca de 40%
da arrecadação total. Recentemente, houve uma reposição salarial
de 11% para os servidores. Os entrevistados realçaram a forte dependência da população, face à Municipalidade, na busca de solução de problemas dos mais diversos tipos.
5 - INFRA-ESTRUTURA E SERVIÇOS
O
município de Vargem Bonita está ligado à MG 341, que, por sua vez,
se interliga à MG 050 em Piumhi, que leva à capital do Estado. O
percurso entre a sede municipal e a cidade de Piumhi é de 51 km, dos
quais a metade em pavimento natural.
O
transporte de cargas e passageiros de Vargem Bonita é feito por via
rodoviária, em estradas vicinais sem pavimento. Apesar do esforço de
manutenção, observam-se dificuldades de conservação do solo,
principalmente na época das chuvas, quando alguns trechos podem ficar
interrompidos. A Prefeitura dispõe de uma pá carregadeira, uma
patrol própria e outra do DNER que foi disponibilizada para o município
até o final do corrente ano. Conta, ainda, com dois caminhões para
realizar obras de manutenção das estradas.
O
transporte intermunicipal é feito por uma linha comercial de ônibus
para Piumhi e São Roque de Minas, com freqüência diária, mas com
apenas um horário.
A
CEMIG não disponibilizou as informações solicitadas para composição
deste Diagnóstico Municipal. Dados obtidos no Instituto de
Desenvolvimento Industrial - INDI, relativos a 1997, mostram a presença
de apenas oito consumidores industriais, 57 comerciais, 468
residenciais, 58 rurais e 25 de outra natureza, totalizando um consumo
de um milhão de KWh. O consumo médio residencial mensal, usualmente
considerado um indicador de renda, não atingia 100 KWh, valor
inferior à média de Minas.
O
principal meio de comunicação existente em Vargem Bonita é o Jornal
Folha da Canastra, de periodicidade mensal e tiragem de cinco mil
exemplares.
Encontra-se
instalada uma agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
- ECT e os serviços de telefonia são prestados pela TELEMAR, com
cerca de 80 linhas instaladas. São retransmitidas as principais redes
nacionais de televisão.
O
abastecimento de água é
feito pela COPASA, através de um total de 473 ligações na sede
municipal em 2 000, que representavam 508 economias, o que
praticamente corresponde a 100% de cobertura.
Dados
do IBGE, relativos a 1991 (Quadro
15, Anexo 1), mostram que o município parece haver evoluído
quanto ao tema, uma vez que menos de 50% dos domicílios locais eram
atendidos através de rede geral; média inferior à mineira (68%).
A
captação de água é feita através de dois poços artesianos - um
em operação e outro de reserva -, perfurados a uma distância de 30
a 40 metros do rio, com profundidade de 62 metros (o primeiro) e 70
metros (o outro). A água é fornecida numa vazão de 4,8 litros por
segundo, o que é suficiente para cobrir as necessidades de
abastecimento. Foi ressaltado que a bomba funciona durante 15 ou 16
horas por dia, o que significa capacidade ociosa, ou seja,
disponibilidade se houver aumento de demanda. Há também um reservatório
de 150 000 litros, construído em 1975, e que, segundo os
entrevistados do setor, se encontra em perfeitas condições de uso.
A
água captada recebe tratamento à base de cloro, flúor e carbonato
de sódio. É feito o adequado controle químico-físico-bacteriológico,
sendo enviadas amostras semanais para Varginha, para análise. Na
opinião do representante do setor, a água dos poços artesianos é
de ótima qualidade, superior à que poderia ser eventualmente captada
no rio.
Não
estão previstas obras de melhoria ou expansão do atual sistema de
abastecimento de água. Todavia, em decorrência do grande número de
construções que têm sido feitas na área urbana, poderá surgir
necessidade de ampliá-lo, dado o mencionado aumento da demanda.
No
meio rural, segundo dados da EMATER, a maior fonte de captação de água
são as minas. O consumo é feito, em sua maior parte, sem nenhum tipo
de tratamento e somente 30% dos domicílios rurais fazem a fervura ou
aeração da água.
Quanto
ao esgotamento sanitário,
em 1991 o IBGE informava que apenas cerca de 25% do total de domicílios
estavam ligados à rede geral de esgoto, enquanto em Minas esse
percentual correspondia a quase 54% (Quadro
16, Anexo 1). Na localidade, o principal meio de escoadouro das
instalações sanitárias era a fossa rudimentar (56%). Ao se analisar
os dados atuais, fica claro que a situação se alterou positivamente
nas últimas décadas, embora áreas rurais possam continuar
desasistidas: agora atinge-se uma cobertura aproximada de 80% da sede.
Os
esgotos são atirados in natura
no rio São Francisco. Existe projeto feito por um engenheiro para a
rede de esgoto da cidade, que prevê a construção de lagos para
decantação. Ainda não foi posto em prática pela Prefeitura por
estar sendo avaliada, como alternativa, um sistema de esgoto com
tanques sépticos. Foi relatado que o povoado de Cabrestos é
totalmente servido por rede de esgoto, com esse mesmo sistema, que
parece estar dando bons resultados.
No
que diz respeito à coleta de
lixo, o Quadro 17 (Anexo 1)
permite ver que, em 1991, menos de 13% do total do lixo domiciliar era
coletado, incluindo áreas urbanas e rurais, dado que correspondia a
quase 57% na média estadual.
Atualmente,
realiza-se a coleta na sede três vezes por semana e os dejetos são
depositados em uma cratera deixada pela atividade do garimpo, onde são
incinerados e tampados com terra uma vez por mês.
Foram
também registradas transformações, nos últimos anos, com respeito
à questão habitacional.
De acordo com entrevistados, houve ampliação do número de
loteamentos e construções na sede municipal, como antes mencionado,
cujos moradores são, em sua maioria, oriundos da zona rural.
Verifica-se dificuldade de encontrar imóveis para aluguel e pouca
disponibilidade de terrenos para aquisição. Existia no município um
Código de Posturas, que se perdeu e é preciso produzir outro, bem
como elaborar o Código de Obras. A Prefeitura pretendia criar um
loteamento para casas populares.
Tanto
no meio urbano como rural vargeano prevalecem as construções de
alvenaria. No entanto, no meio rural, os estabelecimentos feitos de
adobe e pau a pique ainda somam 40% do total.
A
estrutura local para a saúde conta com dois postos de saúde: um na
sede municipal, onde serão colocados dois leitos para tratamento de
desidratação, e outro no povoado de Cabrestos. Conta-se com duas
ambulâncias, porém apenas uma está em boas condições de uso.
No
posto de saúde da sede, conta-se com os serviços de um médico clínico,
um enfermeiro, um dentista e uma biomédica, que faz exames de
colesterol, fezes, glicose, urina, hemograma e ácido úrico, entre
outros.
Por
sua vez, no posto de saúde de Cabrestos há um médico que atende
duas vezes por semana, um dentista e dois agentes de saúde.
Segundo
entrevistados do sistema de saúde, as nosologias prevalentes são
doenças do aparelho respiratório, verminoses, diabetes, hipertensão,
doenças cárdio-vasculares e psicoses maníaco-depressivas. A Doença
de Chagas está presente, mas não tem feito novos casos.
Vargem
Bonita participa do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Canastra -,
juntamente com outros seis municípios e cuja sede se localiza em
Piumhi -, e que lhe permite oferecer à sua população 14 internações
hospitalares por mês. Pelo fato de não ter nenhuma especialidade no
setor saúde, Vargem Bonita praticamente não recebe pacientes de
outros municípios; ao contrário, os encaminha para fora,
principalmente para São Roque de Minas, onde são tratados os casos
mais simples, ou para a Santa Casa de Piumhi. O serviço de saúde
local também encaminha pacientes para Passos, para solução de casos
mais graves, e em situações ainda mais complicadas, para Belo
Horizonte.
Como
principais problemas do setor foram apontados a falta de equipamentos
médicos e de mais uma ambulância, principalmente para
encaminhamentos hospitalares da população rural.
Vargem
Bonita conta com uma equipe do Programa de Saúde da Família - PSF,
que teve início no segundo semestre de 1999 e atende a 710 famílias
cadastradas na sede municipal e no povoado de Cabrestos. O programa
ainda não foi capaz de diminuir a procura pelo atendimento nos postos
de saúde do município. Encontra-se em ação também o Sistema de
Vigilância Alimentar e Nutricional - SISVAN, cujos pacientes são
gestantes e crianças de até cinco anos de idade.
Está
sendo providenciada a documentação para inclusão da localidade no
programa “Ações de Epidemiologia e Controle de Doenças”, cuja
linha esta centrada nas medidas profiláticas contra sarampo,
difteria, paralisia, dengue, cólera e doenças sexualmente transmissíveis.
O
Quadro 18 (Anexo 1) apresenta
dados do IBGE, para o ano de 1996, sobre a situação da população
de Vargem Bonita de quatro ou mais anos de idade, segundo anos de
estudo. Observa-se um menor percentual de pessoas sem instrução e
com menos de um ano de estudo, em relação à média estadual. Nas
faixas de maior escolarização (acima de oito anos de estudo), porém,
as médias mineiras são superiores às municipais. Ou seja, Vargem
Bonita conta com uma população menos escolarizada que a média do
Estado, o que, nos dias atuais, é um complicador para o
desenvolvimento.
Quanto
ao número de estabelecimentos escolares e alunos matriculados no ano
2000, podem ser vistos no Quadro
19 (Anexo 1), perfazendo um total de cinco escolas e 632
estudantes. A rede estadual está representada por apenas uma escola,
com 140 alunos, sendo a única a oferecer o ensino médio.
As
quatro escolas municipais lecionam para o ensino infantil e o ensino
fundamental (1ª a 8ª série), tendo 492 matrículas.
As
vagas existentes são consideradas suficientes, embora falte espaço físico
e recursos financeiros para a abertura de mais duas turmas de ensino médio
na escola estadual. Dentro de um processo que vem acontecendo em todo
o Brasil, também em Vargem Bonita, nos últimos anos, tem ocorrido
relativa diminuição das matrículas nas quatro primeiras séries do
ensino fundamental. Essa realidade decorre de duas tendências simultâneas.
Por um lado, o sistema educacional praticamente já teria alcançado a
universalização nesse nível de ensino e, portanto, tenderia a
continuar diminuindo o número de matriculados, Por outro, essa ampliação
vegetativa se vê afetada pela redução das taxas de natalidade,
registrada em todo o país. Em contrapartida, vem aumentando a procura
por vagas de 5ª a 8ª série e também de ensino médio, áreas em
que o sistema ainda não atingiu a universalização e que, portanto,
tendem a continuar em expansão.
Em
1999, o ensino municipal passou por um processo de nucleação,
concentrando-se os alunos em três escolas rurais e na da sede urbana.
O
transporte escolar é feito por Kombis terceirizadas, significando uma
despesa mensal de aproximadamente R$ 17 mil para a Prefeitura. Na
avaliação dos entrevistados-chave do setor, há necessidade de maior
número de veículos para o transporte dos alunos do meio rural, em
decorrência das distâncias existentes no município.
O
índice de repetência na 5ª série é considerado elevado, em
virtude da transferência de alunos do meio rural para a escola da
sede municipal. A taxa de evasão escolar é também alta, sobretudo
nas unidades rurais, por um lado porque grande parte dos matriculados
se evadem do sistema ao completar a 4ª série, em geral para
ingressar no mercado de trabalho.
Por
outro lado, durante a colheita do café, em especial no período de
maio a outubro, ocorre tanto a saída de alunos que vão trabalhar em
outras localidades quanto a chegada daqueles advindos de outras regiões,
especialmente do Mato Grosso.
Recentemente,
a Prefeitura comprou 150 novas carteiras, fez obras de recuperação
na escola municipal urbana e adquiriu aparelhos de televisão, vídeo
e antena parabólica para as unidades de sua rede, além de material
didático até a 4ª série para aluno e professor. No entanto, foram
apontadas carências quanto à falta de equipamentos para laboratório
e informática, uma vez que ainda não foram equipadas com tais
recursos.
O
corpo docente da rede municipal é formado por 23 professores. Todos
os que lecionam para a educação infantil e de 1ª a 4ª série do
ensino fundamental têm magistério. O ensino de 5ª a 8ª série
conta, em sua totalidade, com professores formados em curso superior.
A
presença e a participação dos pais nas escolas é considerada boa
na sede e deficiente no meio rural. Na rede municipal, os diretores
continuam a ser indicados pela Prefeitura.
Na
visão dos entrevistados do setor, existe pouca saída de jovens para
outras localidades em busca de ensino superior. No entanto, 11 alunos
entraram no processo de vestibular por etapas, através do Programa
Alternativo de Ingresso ao Ensino Superior - PAIES, para ingressarem
na Universidade Federal de Uberlândia.
Há
projetos extracurriculares sobre temas transversais, como ética,
cidadania, meio ambiente, drogas e violência, que visam a um melhor
esclarecimento aos jovens sobre questões de moral e cívica, mas que
necessitam de continuidade, pois seus resultados são de médio e
longo prazo. O município não tem tido sérios problemas em relação
às drogas, mas o mesmo não pode ser dito sobre o alcoolismo, que é
mais freqüente.
A
respeito de cultura e lazer,
Vargem Bonita conta com um campo de futebol, um ginásio poliesportivo
e um parque para exposições. Embora existam poucas oportunidades de
lazer, a cidade tem um clube social na praça principal que, fechado
inicialmente para reformas, assim permanece até hoje, sem ser
disponibilizado para uso.
Anualmente,
as escolas da sede promovem atividades como baile, gincana, festa
junina e Festival de Bola e Viola. A principal opção de lazer para
as férias e finais de semana é o turismo ecológico, sobretudo as
praias e cachoeiras do Rio São Francisco.
As
festas mais tradicionais da localidade são: Festa do Peão e Festa do
Padroeiro. Na opinião dos entrevistados, há fortes carências de
atividades culturais, como teatro e cinema.
A
partir de entrevistas realizadas em Vargem Bonita, foram apontados
como principais problemas ambientais da região: Þ
caça
de animais silvestres e pesca predatória; Þ
queimadas
ilegais e incêndios florestais, ocorridos no período entre os meses
de julho e outubro, época de maior seca; Þ
desmate
clandestino, que, segundo os entrevistados, se encontra em diminuição,
mesmo porque restam poucas áreas de cerrado e matas nativas
preservadas; Þ
degradação
da margem do rio São Francisco, em decorrência das práticas
inadequadas de garimpo e mineração que eram comuns na localidade; Þ
assoreamento
dos cursos de água, por falta de replantio da mata ciliar nas
nascentes do São Francisco; Þ
ausência
de proteção de nascentes, de fundamental importância, sobretudo em
razão de ser o primeiro município após a nascente do mesmo rio; Þ
extração
de areia, sem os devidos cuidados para evitar processos erosivos e
assoreamento; Þ
lançamento
de esgoto sanitário diretamente nos cursos de água que cortam a região,
sem qualquer tipo de tratamento; Þ
disposição
inadequada do lixo, em cratera onde é queimado e coberto com terra,
inexistindo tratamento adequado; Þ
destino
inadequado das embalagens utilizadas de agrotóxicos; Þ
drenagem
inadequada nas estradas, provocando erosão.
Foi
criada no município uma Área de Proteção Ambiental, após a proibição
das atividades de garimpo e mineração, e na região operam órgãos
de defesa do meio ambiente, como o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, principalmente
na área do Parque Nacional da Serra da Canastra; o Instituto Estadual
de Florestas - IEF; a Polícia Florestal; o Conselho Municipal do Meio
Ambiente - CODEMA. Este último, recentemente retomou suas atividades
após dois anos de paralisação, mas ainda com pouca participação.
O
IEF tem permitido a queimada controlada, promovido educação
ambiental e trabalhado na produção de mudas de essência nativa e exótica,
para distribuí-las aos produtores rurais.
Vargem
Bonita, juntamente com os municípios de Delfinópolis, Sacramento e São
Roque de Minas, participam do Projeto São Francisco, de iniciativa da
Associação para Preservação da Natureza - Grupo Kurupyra, cujo
objetivo principal é promover o turismo ecológico, respeitando e
protegendo o meio ambiente.
O
Diagnóstico Municipal realizado permitiu identificar como principais vantagens
relativas de Vargem Bonita:
¨
existência
de recursos naturais na localidade e na região
(como a Praia de Copacabana e outras praias ribeirinhas,
cachoeiras, corredeiras etc) -, configurando o Parque Nacional da Serra da Canastra, inserido nos
circuitos brasileiros de turismo receptivo;
¨
interesse,
por parte de vários produtores, em desenvolver o turismo rural em
suas propriedades;
¨
produção
de café, com possibilidade de expansão e melhoria de qualidade e
produtividade;
¨
potencial
para incremento e melhor aproveitamento da produção artesanal,
inclusive do famoso Queijo Canastra;
¨
presença
de eventos de relativo sucesso, como por exemplo a Festa do Peão e a
Festa do Padroeiro;
¨
visual
agradável da sede municipal;
¨
existência
de quadra coberta e do campo de futebol José Abílio de Mendonça,
que podem ser melhor aproveitados para bailes, campeonatos desportivos
e outras atividades de lazer, cultura e esportes.
Entretanto,
como qualquer outro município, Vargem Bonita também possui limitações, que devem ser melhor contornadas ou eliminadas, para
que não sirvam de entraves ao desejado processo de desenvolvimento.
Entre elas, destacam-se: ¨
diminuição
das oportunidades de trabalho, principalmente após o fechamento das
atividades de garimpo; ¨
rendimentos
da população inferiores à média estadual;
¨
carências
de infra-estrutura, no que se refere a estradas, estação de
tratamento de esgotos, disposição do lixo, saúde, estabelecimentos
de alimentação e lazer (como clube, danceteria, bar, pizzaria,
restaurante), hospedagem, papelaria, lojas de vestuário e calçados
de qualidade etc.;
¨
falta
de organização e divulgação das atividades artesanais, bem como de
aperfeiçoamento e modernização do design dos produtos;
¨
tradicionalismo
da produção leiteira, sem a produtividade e a qualidade hoje
exigidas pelo mercado;
¨
falta
de organização e de união dos produtores do Queijo Canastra;
¨
necessidade
de melhoria dos padrões de qualidade do referido produto.
Os
estudos realizados neste Diagnóstico identificaram o significativo
potencial turístico do município de Vargem Bonita como um novo
caminho a ser trilhado, desde que precedido da necessária preparação,
que promova seu crescimento com competência e qualidade.
Na
atualidade, o turismo é um dos ramos da economia que mais vem
crescendo em todo o mundo. Fora os benefícios diretos, ou seja,
aqueles obtidos por empresários e trabalhadores que nele atuam
diretamente, suas atividades geram uma série de efeitos indiretos,
como aumento do consumo de produtos da agropecuária, aos quais se
pode agregar valor no âmbito local; desenvolvimento da construção
civil; melhoria do nível de compras no comércio; arrecadação de
impostos e outros, que vão se refletir no aumento da renda e do nível
de ocupação da população.
A
riqueza de recursos naturais existente na região aqui analisada, que
inclusive fundamentou a criação do Parque Nacional da Serra da
Canastra, já vem melhor aproveitada pelo vizinho município de São
Roque de Minas, que avançou mais rapidamente que Vargem Bonita nessa
direção. Hoje, ele conta com infra-estrutura turística que
compreende, por exemplo, diversas pousadas e restaurantes, melhorando,
assim, os níveis de emprego e renda de sua população.
Por
outro lado, é conhecido que o perfil de turista que mais interessa
atrair é aquele com maior poder aquisitivo. Esse tipo de pessoa não
se incomoda de pagar preços mais elevados pelos bens e serviços que
adquire, desde que sejam de qualidade, é mais respeitoso com o meio
ambiente, mas é mais exigente quanto às condições de conforto,
higiene e estética do lugar visitado.
É
preciso realçar também que existe diferença entre a simples presença
de recursos com potencial
para o turismo e a transformação de Vargem Bonita e região,
incluindo São Roque de Minas, em produto
turístico.
Conceitua-se
produto turístico como o
conjunto de atividades e serviços associados aos meios de hospedagem,
alimentação, lazer, transporte, comércio e visita aos locais turísticos,
ligados a atrativos históricos, culturais e naturais (MOLETTA,
1998:21).
Para
transformar-se em um produto turístico, é preciso que a localidade
se organize e se prepare, buscando promover a sustentabilidade social,
econômica, ecológica, espacial e cultural do patrimônio de que dispõe,
integrando ações dos setores público e privado, assim como da
comunidade em geral. |